Essa é pra quem ainda não viu a última entrevista de "Roda dos Sonhos" para a equipe do "Repórter Teen" do colégio Salesianos de Santa Rosa, em Niterói.
Segue o link para conferir na íntegra a entrevista no site deles: http://www.wix.com/webtvrt/sale
terça-feira, 31 de maio de 2011
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Excluir incluindo...uma discussão bastante atual!
Colocar crianças com necessidades especiais em salas separadas divide educadores: parte deles acredita que é segregação, outros defendem que é uma alternativa eficiente para o aprendizado
A educação escolar de crianças com necessidades educacionais especiais não é uma experiência nova. Em meados da década de 70, as chamadas escolas alternativas já faziam as primeiras tentativas de acolher esses alunos no espaço escolar. Desde então, as escolas vêm acumulando as mais diversas experiências, e hoje se consolida cada vez mais a tendência de pensar numa educação de qualidade para todos. Mas o que seria isso? No início da década de 90, surgiu nos Estados Unidos um movimento que propunha a inclusão de todas as crianças com necessidades especiais em escolas regulares. Após a Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais, realizada em Salamanca, Espanha, em 1994, o “discurso da inclusão” tomou feições internacionais e, no Brasil, foi incorporado pelo Ministério da Educação e pela Secretaria de Educação Especial.
Se por um lado o princípio é indiscutível – todas as crianças, independentemente de suas condições, têm direito e devem ter acesso à escolarização de qualidade – por outro, ele cria dificuldades, quando se propõe a definir o que seria esse processo ou como deveria se dar. Em que pesem as diferenças existentes entre eles, os defensores da inclusão preconizam que todas as crianças devem estar em escolas e em classes regulares. Mas o que os autoriza, por exemplo, a afirmar que os surdos se escolarizam melhor em escolas e classes de ouvintes se eles próprios pensam exatamente o contrário? O que os leva a pensar que as chamadas crianças autistas e psicóticas devem estar obrigatoriamente em classes regulares, quando existem experiências tão diversas de sua escolarização e pouco se conhece ainda de seus particularíssimos modos de aprendizagem?
Em uma conversa sobre inclusão com um grupo de professoras da Rede Estadual de Ensino de Pernambuco, uma delas falou sobre suas experiências pedagógicas com crianças com necessidades especiais. Para algumas delas, disse a professora, as classes especiais ou integradas eram condição para estarem na escola, um meio de se tornarem visíveis. Para outras, essas classes foram dispositivos que promoveram a segregação e acentuaram a condição de inexistência. O mesmo se poderia dizer das salas regulares. “O que a minha experiência mostra e eu defendo”, disse a professora, “é que não há um modelo a ser seguido.” E concluiu: “Por isso, sou contra a inclusão”. Finalmente, movida por certo desconforto decorrente de seu posicionamento, acrescentou que, óbvio, não defendia a exclusão.
A fala dessa professora explicita o que incomoda no discurso da inclusão: ele tornou-se um discurso hegemônico e ideológico. Ou seja, o que é uma entre várias possibilidades de pensar a educação para todos tornou-se A forma, aquela que anuncia uma verdade única e indiscutível. O fato de a professora sentir-se obrigada a justificar que não era defensora da exclusão evidencia o efeito do modo maniqueísta de pensar presente nesse discurso: quem não está comigo, que represento o bem, está contra mim e com o mal. Ou seja, não aderir ao discurso da inclusão implica defender a exclusão. E aqueles que não aderem passam a fazer parte de uma extensa lista de excluídos – composta de professores, diretores de escolas, pais e dos próprios alunos com necessidades especiais, como os surdos, por exemplo –, tachados de resistentes, preconceituosos e segregacionistas.
Isso leva a supor que talvez, para pensar sobre uma educação de qualidade para todas as crianças, o paradigma binário inclusão/exclusão não ajude. Assim, a ideia de uma escola inclusiva deveria ser substituída pela de escolas diversas e plurais, efeito de experiências bem-sucedidas, sempre particulares, que já foram construídas ou estão por construir. Elas poderiam ser uma espécie de antídoto contra a atração fatal de homogeneizar o que é diverso por condição.
Isso leva a supor que talvez, para pensar sobre uma educação de qualidade para todas as crianças, o paradigma binário inclusão/exclusão não ajude. Assim, a ideia de uma escola inclusiva deveria ser substituída pela de escolas diversas e plurais, efeito de experiências bem-sucedidas, sempre particulares, que já foram construídas ou estão por construir. Elas poderiam ser uma espécie de antídoto contra a atração fatal de homogeneizar o que é diverso por condição.
Ana Elizabeth Cavalcanti é psicóloga com formação em psicanálise, trabalha no Centro de Pesquisa em Psicanálise e Linguagem (CPPL) de Recife.
Artigo retirado da versão on-line da revista Mente e Cérebro de março de 2011.
Resposta do Exercitando o Cérebro II
A imagem deste desafio é da parte de baixo de um pires.
E aí, pensou em algo próximo a isso? Acertou?
Aguardem as novas figuras!
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Repórter Teen entrevista Roda dos Sonhos
Segue a entrevista recentemente dada à equipe do Repórter Teen sobre a escolha profissional e a opção por ser psicólogo.
Esperamos que seja interessante e esclarecedora para vocês!
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Os papéis muitas vezes se invertem...
Esse vídeo chegou a nós por e-mail, através de amigos...Obrigada! Vale a reflexão que o vídeo propõe.
terça-feira, 24 de maio de 2011
Exercitando o Cérebro II
Decidimos continuar com esta idéia e hoje trazemos outra imagem!!!!!
O nosso primeiro "Exercitando o Cérebro" e deixou muitos palpites no ar até que enfim veio a resposta para as mentes curiosas...
E aí, algum palpite! Se tiver, deixe aqui seu comentário com o palpite e confira nos próximos posts a resposta.
Sobre a gagueira infantil...
Problemas de articulação da fala costumam aparecer entre 2 e 4 anos de idade e são mais frequentes em meninos; o tratamento deve ser iniciado ainda na idade pré-escolar
A mãe de Pablo mostra-se angustiada durante a consulta. Já faz um mês que seu filho de 3 anos repete sílabas e bloqueia sons ao falar. Ao ver seu esforço para se expressar, ela tenta ajudá-lo orientando-o a não ficar nervoso e a falar bem devagar – o que não tem efeito. Há dias em que Pablo gagueja e outros em que fala sem nenhuma dificuldade. Na última semana, no entanto, o problema se agravou em algumas ocasiões, o menino chega a fazer gestos de esforço para parar de tropeçar nas palavras. A mãe receia que a gagueira se torne permanente.
Problemas de articulação da fala costumam aparecer entre os 2 e 4 anos. Nesse período, os pequenos começam a formar frases maiores e mais elaboradas e ocorre a aquisição de habilidades complexas e necessárias para organizar a linguagem e utilizá-la em situações sociais. É normal esquecer-se de algumas palavras, não apresentar total fluência na fala e demonstrar insegurança ao se expressar.
Como descrito pela mãe de Pablo, uma das características da gagueira é a oscilação: ela não se apresenta em todas as ocasiões e sua intensidade varia. Na maioria dos casos, os bloqueios desaparecem, por exemplo, quando a criança canta, pois estão relacionados ao momento da comunicação – como alguma situação na qual o pequeno se sinta intimidado, seja por uma atitude pouco receptiva do interlocutor ou pela emoção que sente em relação ao tema. Fatores como a pressão dos pais ou professores para “falar corretamente”, corrigindo ou mesmo recompensando quando a criança se expressa com fluência, podem piorar o problema.
Como descrito pela mãe de Pablo, uma das características da gagueira é a oscilação: ela não se apresenta em todas as ocasiões e sua intensidade varia. Na maioria dos casos, os bloqueios desaparecem, por exemplo, quando a criança canta, pois estão relacionados ao momento da comunicação – como alguma situação na qual o pequeno se sinta intimidado, seja por uma atitude pouco receptiva do interlocutor ou pela emoção que sente em relação ao tema. Fatores como a pressão dos pais ou professores para “falar corretamente”, corrigindo ou mesmo recompensando quando a criança se expressa com fluência, podem piorar o problema.
Diagnóstico e tratamento
A gagueira tende a desaparecer espontaneamente ainda durante a infância. Entretanto, em uma minoria dos casos, ela pode se estabelecer e perdurar pela adolescência e idade adulta. É comum que a falta de fluência na fala acentue a timidez ou faça com que a pessoa deixe de se expressar para evitar a vergonha de tropeçar nas sílabas e passe a manifestar movimentos corporais involuntários relacionados à tensão e ao esforço para falar.
Até há pouco tempo, a abordagem de especialistas para casos como o de Pablo era aconselhar os pais a esperar. O tratamento costumava ser indicado apenas se o problema persistia após a idade pré-escolar. No entanto, segundo estudo conduzido por mais de 20 anos, a intervenção deve vir, de preferência, antes dos 4 anos, para evitar que a gagueira se estabeleça e ocasione transtornos secundários como ansiedade ou sentimentos negativos em relação à comunicação e à convivência social, prejudicando a autoestima.
A pesquisa não identificou uma causa específica da gagueira, porém foram identificados fatores que podem desencadeá-la, como histórico familiar – cerca de 60% das pessoas com o problema têm parentes gagos. Além disso, é três vezes mais frequente em meninos. Observou-se alto índice de recuperação em casos em que o tratamento foi iniciado antes que as repetições e os tropeços na fala completassem um ano. Ao perceber os sinais descritos, é aconselhável que os pais procurem um fonoaudiólogo ou psicólogo. Estes profissionais avaliarão o grau de dificuldade da criança em expressar-se e se há fatores ambientais, sociais e psicológicos associados ao problema.
A mãe de Pablo foi orientada a ajudar o filho com atitudes simples, como falar de forma clara com a criança e dar tempo para que ele organize suas palavras. Foi instruída também a evitar fazer recomendações e a conversar um pouco mais devagar, articulando bem as palavras, para oferecer um modelo lento de fala, com pausas, que possa ser imitado. Essas pequenas mudanças são, em geral, muito eficazes para deixar os pequenos mais tranquilos e conseguir que eles se expressem com mais fluência.
Até há pouco tempo, a abordagem de especialistas para casos como o de Pablo era aconselhar os pais a esperar. O tratamento costumava ser indicado apenas se o problema persistia após a idade pré-escolar. No entanto, segundo estudo conduzido por mais de 20 anos, a intervenção deve vir, de preferência, antes dos 4 anos, para evitar que a gagueira se estabeleça e ocasione transtornos secundários como ansiedade ou sentimentos negativos em relação à comunicação e à convivência social, prejudicando a autoestima.
A pesquisa não identificou uma causa específica da gagueira, porém foram identificados fatores que podem desencadeá-la, como histórico familiar – cerca de 60% das pessoas com o problema têm parentes gagos. Além disso, é três vezes mais frequente em meninos. Observou-se alto índice de recuperação em casos em que o tratamento foi iniciado antes que as repetições e os tropeços na fala completassem um ano. Ao perceber os sinais descritos, é aconselhável que os pais procurem um fonoaudiólogo ou psicólogo. Estes profissionais avaliarão o grau de dificuldade da criança em expressar-se e se há fatores ambientais, sociais e psicológicos associados ao problema.
A mãe de Pablo foi orientada a ajudar o filho com atitudes simples, como falar de forma clara com a criança e dar tempo para que ele organize suas palavras. Foi instruída também a evitar fazer recomendações e a conversar um pouco mais devagar, articulando bem as palavras, para oferecer um modelo lento de fala, com pausas, que possa ser imitado. Essas pequenas mudanças são, em geral, muito eficazes para deixar os pequenos mais tranquilos e conseguir que eles se expressem com mais fluência.
Por Alicia Fernández Zúñiga que é psicóloga do Instituto de Linguagem e Desenvolvimento da Universidade Autônoma de Madri. Este artigo está nas bancas com a revista Mente e Cérebro de Junho de 2011.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Resposta do último "Exercitando o cérebro"!
A figura a ser decifrada é de cadeiras de plástico empilhadas!
Dê uma olhada novamente aqui.
E aí, você tinha dado esse palpite ou pensando em algo diferente?
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Documentário sobre os bebês!
"Bebê" é um documentário de Thomas Balmès, produzido por Alain Chabat.
Este filme nos convida a observar a vida de 4 bebês de diferentes locais do mundo: Mongólia, Estados Unidos, Japão e Namíbia.
Desde o dia do nascimento aos primeiros passos, podemos ver a evolução e crescimento dos bebês em seus "mundinhos" e culturas diferentes! Parece super interessante, não é?
Para quem quiser saber mais, acesse o link do site clicando aqui.
Segue o trailer do filme:
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Brincando independente da idade e de várias maneiras!
Vasculhando umas lojas de brinquedo encontrei esse joguinho bem interessante.
Se chama "Pictureka" e, tem várias maneiras de jogar. É indicado a partir dos 6 anos, mas pode ser adaptado também para os pequeninos, usando apenas as cartas com figuras.
O jogo tem cartas que se assemelham às de um dominó que são repartidas e contém indicações de itens que você precisa identificar nas cartas com figuras...e as figuras são bem exóticas!!! As crianças se divertem com as figuras diferentes e os adultos com a disputa do jogo mesmo.
Indicado para todas as idades, gostos, e também para se ter em casa ou no consultório, esse joguinho diverte, exige nossa atenção, rapidez, criatividade e muitas outras habilidades.
Fica essa ótima dica!
terça-feira, 17 de maio de 2011
Exercitando o cérebro...
Você saberia dizer o que é esta imagem?
Bem, então olhe com atenção e daqui há uma semana daremos a resposta correta. Guarde seu palpite e confira depois se estava certo!
Retirado de: http://www.cerebronosso.bio.br/o-que-esta-imagem/
domingo, 15 de maio de 2011
Em primeira mão, nossa propaganda na Megabel!
Saiu na edição de maio da revista que circula internamente no Instituto Abel, uma propaganda da Roda dos Sonhos, que traz como destaque os grupos de Orientação Profissional (que já vínhamos divulgando aqui!).
sexta-feira, 6 de maio de 2011
A "concha protetora" de Winnicott
Feita por Donald Woods Winnicott (psicanalista inglês que se debruçou sobre os estudos e observações da relação mãe-bebê) esta linda imagem realmente representa muito mais do que mil palavras!
Representa a relação de cumplicidade e dependência entre a dupla.
A "Concha protetora", o desenho assim nomeado por ele, nos remete a uma de suas frases mais conhecidas: "não existe essa coisa chamada bebê", nos apontando que não há bebê sem uma mãe (sendo esta quem deu a luz ao bebê ou não!).
Fica desde já, portanto, nossa homenagem ao dia das mães, que deve ser todo dia, mas que tem o segundo domingo de maio como marco muito mais comercial...
Muito obrigada! Afinal, sem vocês não seríamos coisa (lembrando o Winnicott...) alguma !!!
Biografia
ABRAM, J. (2000) expressões utilizadas por Donald W. Winnicott. Rio de Janeiro: Revinter.
WINNICOTT, D. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro, Imago, 1975.
WINNICOTT, D. A família e o desenvolvimento individual. São Paulo, Martins Fontes, 1983.
WINNICOTT, D. Os bebés e suas mães. São Paulo, Martins Fontes, 1988
O hábito da leitura...
Esse post retirado da Revista Megabel, que circula internemante pelo Instituto Abel, traz a opinião de Eliana Carvalho Hamfellner (educadora da escola) sobre o interesse e a escolha por parte dos jovens da leitura de histórias de bruxaria e vampirismo. Sabemos que esta escolha muitas vezes deixa pais de cabelo em pé, então, a fim de esclarecer que a leitura em si, relacionada aos temas, nada mais é do que diversão para os jovens e eficiente quando se quer manter vivo neles e hábito da leitura.
terça-feira, 3 de maio de 2011
Sobre os "Pequenos tiranos"!
Artigo bem interessante para pensarmos as relações entre pais e filhos na atualidade: trata da versão tirânica de muitas crianças em suas famílias.
Como nos tornamos aquilo que somos? Essa pergunta, para a qual se buscaram (e ainda se buscam) respostas nas mais variadas áreas do conhecimento, conduziu Freud à descoberta do inconsciente. O homem não é senhor em sua própria casa, suas ações são determinadas por desejos e motivações que ele mesmo desconhece. A psicanálise surge como uma forma de tratamento que visa tais determinações, revelando paradoxos do desejo que evidenciam a existência da divisão entre a consciência e o inconsciente.
Essa subjetividade não é, entretanto, um dado a priori, é efeito de um árduo trabalho psíquico, por meio do qual é possível encontrar os instrumentos necessários para a entrada na cultura, pagando o preço do recalque e de uma divisão subjetiva sem a qual não haveria inscrição na ordem simbólica que orienta os caminhos do desejo. A família encontra aí seu papel fundamental, pois é nela que se recolhe, peça por peça, cada um dos instrumentos necessários para que se encontre lugar na cultura. A família adquire, nesse contexto, seu caráter e sua função de transmissão.
Essa subjetividade não é, entretanto, um dado a priori, é efeito de um árduo trabalho psíquico, por meio do qual é possível encontrar os instrumentos necessários para a entrada na cultura, pagando o preço do recalque e de uma divisão subjetiva sem a qual não haveria inscrição na ordem simbólica que orienta os caminhos do desejo. A família encontra aí seu papel fundamental, pois é nela que se recolhe, peça por peça, cada um dos instrumentos necessários para que se encontre lugar na cultura. A família adquire, nesse contexto, seu caráter e sua função de transmissão.
No início da história, somos apresentados ao desejo do casal de ter um filho. Como em todo desejo, há a marca de uma função simbólica: caberá ao príncipe ocupar seu lugar na linhagem paterna, herdando o reino de um pai que, por sua vez, herdou-o de seu próprio pai, numa ordem de gerações que conduz ao primeiro pai sobre a terra.
A família é, em essência, esse lugar de transmissão psíquica, que conta com o desejo dos pais e o lugar simbólico destinado à criança: “serás rei como eu”. A criança encontrará nesse espaço simbólico o ponto de sustentação de seu narcisismo e a organização psíquica que lhe permitirá situar-se como eu – unidade ilusória, mas estruturante, que assegura ao sujeito a consciência de si mesmo como um todo. Temos aí a função alienante do desejo do Outro que, ao mesmo tempo, sustenta o narcisismo e serve de suporte para a eleição dos ideais a serem alcançados: “serei rei”. É na exigência de responder a esse ideal narcísico que o super-ego exerce sua função.
Ocorre que, entre o que se é e o que se realiza desse ideal, há sempre um hiato, uma distância. Essa distância situa o sujeito, em sua essência, marcado por uma falta. Trata-se do que a psicanálise denominou castração, o sentimento de que falta algo, quando se tem no horizonte a referência a um ideal.
Entretanto, é justamente porque há falta que há algo a buscar – e é nessa busca que nos situamos como desejantes. O desejo é sempre condicionado pela falta, própria do ser humano. É uma condição que ao mesmo tempo nos aliena na busca do narcisismo perdido e nos lança em direção à vida, orientados pela aposta na realização de nossos desejos.
Como o principezinho do conto se conduz em relação ao que lhe falta e como isso o faz funcionar psiquicamente? A tirania do príncipe é a tirania do desejo. Seu desejo adquire o estatuto de ordem e a conseqüência é o exercício de um poder marcado pela arbitrariedade de sua vontade: “Mandou cortar todas as árvores, porque um dia lhe caiu uma ameixa na cabeça; mandou estrangular os pássaros, um a um, porque cantavam de manhã muito cedo e isso atrapalhava seu sono; ordenou que sua mãe fosse presa no 749o andar da mais alta das suas torres, porque ela tinha se atrevido a mandá-lo fazer os seus deveres reais”. Quanto maior a arbitrariedade de suas determinações, guiadas não pela lei, mas por seus caprichos, tanto maior a demonstração do peso de seu poder. Um poder tirânico que é exercido à revelia do desejo dos pais, impotentes diante do filho.
A família é, em essência, esse lugar de transmissão psíquica, que conta com o desejo dos pais e o lugar simbólico destinado à criança: “serás rei como eu”. A criança encontrará nesse espaço simbólico o ponto de sustentação de seu narcisismo e a organização psíquica que lhe permitirá situar-se como eu – unidade ilusória, mas estruturante, que assegura ao sujeito a consciência de si mesmo como um todo. Temos aí a função alienante do desejo do Outro que, ao mesmo tempo, sustenta o narcisismo e serve de suporte para a eleição dos ideais a serem alcançados: “serei rei”. É na exigência de responder a esse ideal narcísico que o super-ego exerce sua função.
Ocorre que, entre o que se é e o que se realiza desse ideal, há sempre um hiato, uma distância. Essa distância situa o sujeito, em sua essência, marcado por uma falta. Trata-se do que a psicanálise denominou castração, o sentimento de que falta algo, quando se tem no horizonte a referência a um ideal.
Entretanto, é justamente porque há falta que há algo a buscar – e é nessa busca que nos situamos como desejantes. O desejo é sempre condicionado pela falta, própria do ser humano. É uma condição que ao mesmo tempo nos aliena na busca do narcisismo perdido e nos lança em direção à vida, orientados pela aposta na realização de nossos desejos.
Como o principezinho do conto se conduz em relação ao que lhe falta e como isso o faz funcionar psiquicamente? A tirania do príncipe é a tirania do desejo. Seu desejo adquire o estatuto de ordem e a conseqüência é o exercício de um poder marcado pela arbitrariedade de sua vontade: “Mandou cortar todas as árvores, porque um dia lhe caiu uma ameixa na cabeça; mandou estrangular os pássaros, um a um, porque cantavam de manhã muito cedo e isso atrapalhava seu sono; ordenou que sua mãe fosse presa no 749o andar da mais alta das suas torres, porque ela tinha se atrevido a mandá-lo fazer os seus deveres reais”. Quanto maior a arbitrariedade de suas determinações, guiadas não pela lei, mas por seus caprichos, tanto maior a demonstração do peso de seu poder. Um poder tirânico que é exercido à revelia do desejo dos pais, impotentes diante do filho.
Podemos pensar em um caso particular dessa transmissão de recursos para a entrada na ordem social: o dos pequenos tiranos. Um trecho de conto infantil auxiliará a reflexão acerca de como essa transmissão regula a relação com o desejo, a lei, os valores morais, o narcisismo, e de como o sujeito se apropria dela. Como situar a posição dessas crianças, tanto de sua própria posição subjetiva como do ponto de vista dos vínculos familiares e daquilo que, desse laço, se transmite?
Que os pais sofram com o comportamento da criança não quer dizer, entretanto, que não estejam diretamente implicados nele. Como nos ensinou Freud, temos sempre nossa parcela de contribuição naquilo de que padecemos. Não é a própria rainha que diz ao filho “tu és o meu reizinho, o meu único rei, e os teus desejos são ordens”? Não é em resposta a esse desejo da mãe que o principezinho orienta suas ações? Não é como rei, como único rei, que ele se apresenta assim que o tiram de sua redoma de vidro?
Isso não significa, porém, que a resposta que o principezinho oferece não seja sua própria resposta. Afinal, coube a ele, e a ninguém mais, posicionar-se diante do desejo do Outro. É ele quem escolhe afirmar, diante do rei pai: “Passa para cá a sua coroa!”. Nesse sentido, não podemos considerá-lo uma vítima passiva diante do desejo do Outro. Ele produz sua resposta e é justamente ela que faz dele o que ele é: tirano.
Não nos esqueçamos, porém, de que ao formular sua resposta o principezinho encontra eco na postura do pai, que lhe entrega a coroa sem dizer uma palavra, “porque nunca havia dito não a ele, nem quando tinha 1 dia, nem quando tinha 3 meses. Como proibi-lo então de alguma coisa aos 7 anos?”. Tal é o dilema desse pai real, que escolhe ceder seu lugar porque lhe parece demasiado pesada a tarefa de ferir o narcisismo do filho para quem nunca fora possível dizer não. É assim que algo se transmite nessa família real, que testemunha, prematura e irresponsavelmente, a transformação do principezinho em rei. O narcisismo intocável do príncipe, a quem não se pode negar nada, é também o narcisismo intocável dos pais, que o criam como criança amada e infinitamente preciosa, numa redoma, servido por uma dúzia de criadas com o que havia de melhor e mais precioso. Protegido de tudo e sem conhecer proibições, não há, para o príncipe-rei de nosso conto, distância entre o ideal a realizar e aquilo que é – delineia-se então uma situação sem lugar para um desejo legítimo, ordenado e orientado simbolicamente pela lei compartilhada socialmente.
“...e viveram felizes para sempre” não parece ser o final que se descortina no horizonte quando o preço pago pela felicidade é a sustentação de um narcisismo que leva a crer num mundo onde não há limites. É justamente isso que nos revela a queixa final do principezinho que, tendo realizado todos os seus caprichos, permanece infeliz, assolado por sentimentos de solidão, tristeza e falta de amor.
Isso não significa, porém, que a resposta que o principezinho oferece não seja sua própria resposta. Afinal, coube a ele, e a ninguém mais, posicionar-se diante do desejo do Outro. É ele quem escolhe afirmar, diante do rei pai: “Passa para cá a sua coroa!”. Nesse sentido, não podemos considerá-lo uma vítima passiva diante do desejo do Outro. Ele produz sua resposta e é justamente ela que faz dele o que ele é: tirano.
Não nos esqueçamos, porém, de que ao formular sua resposta o principezinho encontra eco na postura do pai, que lhe entrega a coroa sem dizer uma palavra, “porque nunca havia dito não a ele, nem quando tinha 1 dia, nem quando tinha 3 meses. Como proibi-lo então de alguma coisa aos 7 anos?”. Tal é o dilema desse pai real, que escolhe ceder seu lugar porque lhe parece demasiado pesada a tarefa de ferir o narcisismo do filho para quem nunca fora possível dizer não. É assim que algo se transmite nessa família real, que testemunha, prematura e irresponsavelmente, a transformação do principezinho em rei. O narcisismo intocável do príncipe, a quem não se pode negar nada, é também o narcisismo intocável dos pais, que o criam como criança amada e infinitamente preciosa, numa redoma, servido por uma dúzia de criadas com o que havia de melhor e mais precioso. Protegido de tudo e sem conhecer proibições, não há, para o príncipe-rei de nosso conto, distância entre o ideal a realizar e aquilo que é – delineia-se então uma situação sem lugar para um desejo legítimo, ordenado e orientado simbolicamente pela lei compartilhada socialmente.
“...e viveram felizes para sempre” não parece ser o final que se descortina no horizonte quando o preço pago pela felicidade é a sustentação de um narcisismo que leva a crer num mundo onde não há limites. É justamente isso que nos revela a queixa final do principezinho que, tendo realizado todos os seus caprichos, permanece infeliz, assolado por sentimentos de solidão, tristeza e falta de amor.
Conto:
Num reino longínquo, uma rainha desesperava-se por não ter filhos.
– Temos de ter um! Temos de ter um!, gemia o rei. Para quem ficará este soberbo reino que me deixou o meu pai, que o recebeu do seu pai, e assim sucessivamente, desde a criação do primeiro pai sobre a Terra? A quem entregarei a minha coroa quando os meus ossos se tornarem velhos e quebradiços, quando estiver cheio de cabelos brancos e tolhido de reumatismo?
– Que quadro tão terrível da velhice! Mas não deixa de ter razão: precisamos ter uma criança.
A rainha consultou todos os manuais e os médicos mais poderosos e mais sábios. Por fim, graças aos tratamentos, finalmente engravidou.
– Cuidado, este principezinho será seu tesouro, mas não lhe dêem mimo demais. Não tenham pressa em fazer dele um pequeno rei, preveniu o médico, assim que o bebê nasceu.
Mas mal ele virou as costas, a rainha pegou logo o pequeno príncipe e começou a enchê-lo de mimos.
– Tu és o meu reizinho, o meu único rei, e os teus desejos são ordens.
Os pais meteram o menino numa redoma infinitamente preciosa e, todas as manhãs, uma criada diplomada levava-lhe mamadeiras de cristal com leite da melhor qualidade e mel de abelhas raras. Dormia num colchão de pétalas de rosa colhidas na Abissínia exatamente às 5 horas da manhã -– quando estavam mais frescas -– e em lençóis bordados a ouro. Para servir o menino, uma dúzia de criadas corriam de um lado para o outro durante o dia e, à noite, dormiam a seus pés. Estava protegido de tudo: da mais leve brisa, do menor sopro… Para o aquecer, os pais mandaram construir um sol artificial, que não queimava a pele, mas fornecia vitamina D. Foi assim que o garotinho cresceu, tranqüilamente, em silêncio. Seus desejos eram ordens, sempre atendidas prontamente.
No dia em que completou 7 anos, pareceu conveniente aos pais tirar a criança adorada da sua redoma de vidro.
– Meu pequerruchinho, agora já és grande!, disse a mãe, aproximando-se para lhe fazer um carinho.
– Não sou pequerruchinho coisa nenhuma, disse o príncipe com desdém. E se quer me beijar, autorizo que me beije os pés. É o quanto basta.
Depois, dirigiu-se ao pai:
– Ei, velhote, passa para cá a sua coroa!
O rei entregou-lhe a coroa sem dizer uma palavra, porque nunca havia dito “não” ao principezinho, nem quando ele tinha 1 dia, nem quando ele tinha 3 meses. Como proibi-lo então de alguma coisa aos 7 anos? E foi assim que o principezinho se transformou em rei. Um rei tirano de 7 anos e alguns dias. Mandou cortar todas as árvores, porque um dia lhe caiu uma ameixa na cabeça; ordenou que todos os pássaros fossem estrangulados, um a um, porque cantavam de manhã muito cedo e isso atrapalhava seu sono; determinou que sua mãe fosse presa no 749o andar da mais alta das suas torres, porque ela tinha se atrevido a mandá-lo fazer os seus deveres reais. É o que por vezes acontece quando se é criado numa redoma.
O pior é que, apesar dos seus caprichos, ele tinha sempre um rosto infeliz e gritava:
– Sinto-me sozinho! Estou triste! Ninguém gosta de mim!
Trecho de O principezinho tirano, extraído do blog http://geracoesdialogo.wordpress.com
por Michele Roman Faria
Michele Roman Faria é psicanalista, doutora em psicologia clínica pela USP e atualmente desenvolve pós-doutorado no Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp. É autora de Constituição do sujeito e estrutura familiar (Cabral Editora e Livraria Universitária, 2003) e Introdução à psicanálise de crianças: o lugar dos pais (Hacker Editores, 1998).
– Temos de ter um! Temos de ter um!, gemia o rei. Para quem ficará este soberbo reino que me deixou o meu pai, que o recebeu do seu pai, e assim sucessivamente, desde a criação do primeiro pai sobre a Terra? A quem entregarei a minha coroa quando os meus ossos se tornarem velhos e quebradiços, quando estiver cheio de cabelos brancos e tolhido de reumatismo?
– Que quadro tão terrível da velhice! Mas não deixa de ter razão: precisamos ter uma criança.
A rainha consultou todos os manuais e os médicos mais poderosos e mais sábios. Por fim, graças aos tratamentos, finalmente engravidou.
– Cuidado, este principezinho será seu tesouro, mas não lhe dêem mimo demais. Não tenham pressa em fazer dele um pequeno rei, preveniu o médico, assim que o bebê nasceu.
Mas mal ele virou as costas, a rainha pegou logo o pequeno príncipe e começou a enchê-lo de mimos.
– Tu és o meu reizinho, o meu único rei, e os teus desejos são ordens.
Os pais meteram o menino numa redoma infinitamente preciosa e, todas as manhãs, uma criada diplomada levava-lhe mamadeiras de cristal com leite da melhor qualidade e mel de abelhas raras. Dormia num colchão de pétalas de rosa colhidas na Abissínia exatamente às 5 horas da manhã -– quando estavam mais frescas -– e em lençóis bordados a ouro. Para servir o menino, uma dúzia de criadas corriam de um lado para o outro durante o dia e, à noite, dormiam a seus pés. Estava protegido de tudo: da mais leve brisa, do menor sopro… Para o aquecer, os pais mandaram construir um sol artificial, que não queimava a pele, mas fornecia vitamina D. Foi assim que o garotinho cresceu, tranqüilamente, em silêncio. Seus desejos eram ordens, sempre atendidas prontamente.
No dia em que completou 7 anos, pareceu conveniente aos pais tirar a criança adorada da sua redoma de vidro.
– Meu pequerruchinho, agora já és grande!, disse a mãe, aproximando-se para lhe fazer um carinho.
– Não sou pequerruchinho coisa nenhuma, disse o príncipe com desdém. E se quer me beijar, autorizo que me beije os pés. É o quanto basta.
Depois, dirigiu-se ao pai:
– Ei, velhote, passa para cá a sua coroa!
O rei entregou-lhe a coroa sem dizer uma palavra, porque nunca havia dito “não” ao principezinho, nem quando ele tinha 1 dia, nem quando ele tinha 3 meses. Como proibi-lo então de alguma coisa aos 7 anos? E foi assim que o principezinho se transformou em rei. Um rei tirano de 7 anos e alguns dias. Mandou cortar todas as árvores, porque um dia lhe caiu uma ameixa na cabeça; ordenou que todos os pássaros fossem estrangulados, um a um, porque cantavam de manhã muito cedo e isso atrapalhava seu sono; determinou que sua mãe fosse presa no 749o andar da mais alta das suas torres, porque ela tinha se atrevido a mandá-lo fazer os seus deveres reais. É o que por vezes acontece quando se é criado numa redoma.
O pior é que, apesar dos seus caprichos, ele tinha sempre um rosto infeliz e gritava:
– Sinto-me sozinho! Estou triste! Ninguém gosta de mim!
Trecho de O principezinho tirano, extraído do blog http://geracoesdialogo.wordpress.com
por Michele Roman Faria
Michele Roman Faria é psicanalista, doutora em psicologia clínica pela USP e atualmente desenvolve pós-doutorado no Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp. É autora de Constituição do sujeito e estrutura familiar (Cabral Editora e Livraria Universitária, 2003) e Introdução à psicanálise de crianças: o lugar dos pais (Hacker Editores, 1998).
domingo, 1 de maio de 2011
Dica de leitura sobre o desenvolvimento infantil!
A coleção A Mente do Bebê é uma série especial e super interessante tanto para aqueles que trabalham com crianças, lidam com elas no dia-a-dia, como para pais e interessados pelos pequeninos.
Quatro edições compõem a série especial que pode ser encontrada ainda nas bancas ou encomendadas diratamente no site da Duetto que está aqui!
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