terça-feira, 26 de julho de 2011

RODA DOS SONHOS EM FÉRIAS

Trabalho e lazer são atividades necessárias ao nosso cotidiano. A organização do tempo de trabalho e lazer é influenciada pela cultura e pelos grupos sociais a que pertencemos. As sociedades têm historicamente construído espaços e atividades coletivas de lazer, e muitas delas vêm sendo perpetuadas através de várias gerações. Há os que preferem um lugar reservado para desfrutar o período de férias; há aqueles que optam por muita adrenalina; há os que apenas necessitam de atividades variadas, fora do cotidiano. E isso pode ser uma característica do lazer: fazer diferente do dia a dia, em local ou hora opcionais. O mundo contemporâneo, globalizado, compartilha atividades de várias culturas, o que gera um enorme enriquecimento para a população que delas se beneficia. Nossas crianças, adolescentes e jovens podem, por exemplo, criar um espaço de lazer ao interagir pela internet, compartilhando jogos, músicas, ideias e sentimentos.
O tempo nem sempre é um aliado quando se trata de lazer. Um dia vivido em atividades que causam prazer passa num piscar de olhos. Por essa e outras razões, é mais conveniente organizar as férias! Aqui vão algumas dicas para potencializar esse tempinho precioso:
-- Internet e jogos eletrônicos estão acessíveis durante todo o ano; se você  prefere tais atividades às realizadas ao ar livre ou àquelas em que se pode interagir com outros jovens, cuidado para não trocar o dia pela noite nas férias. Isso é mais comum entre os adolescentes do que se imagina. Ao fazer essa troca, você pode acabar perdendo não apenas o contato com seu dia a dia de horários mais regrados (o que faz com que seja difícil a volta às aulas), como também a oportunidade de fazer atividades diurnas.

-- As férias de verão são excelentes para atividades com amigos ou para arranjar amigos. Em atividades ao ar livre, tais como natação, caminhadas, andar de bicicleta, patins, surfe, ou até mesmo para se aprender ou iniciar a prática destas atividades, não perca a oportunidade de puxar uma conversa com o companheiro(a) ao lado. Férias boas sempre acontecem em boas companhias!

-- Os movimentos do pensamento e do corpo acontecem de forma sistêmica: as atividades ao ar livre geralmente causam sensações de prazer e revigoram nossas energias, gerando muito bom humor. As pesquisas mais recentes sobre inteligência integram esse aspecto ao potencial da inteligência humana: bom humor é essencial à vida e um ingrediente básico nas relações de namoro e amizade, não acham?

-- Férias em família podem ser um estresse, caso você não se disponha a uma convivência agradável, a negociar espaços e atividades. Família é um grupo mais íntimo: aproveite essa intimidade para ampliar seus sentimentos e enfrentar certos riscos com o apoio de outros. Intimidade sem limites pode gerar desrespeito por quem a gente ama.

Finalmente, uma alerta sobre a ilusão que muitos de nós criamos na relação com o dinheiro: não é preciso ter muito dinheiro para ter boas férias. A compulsão é muito comum entre jovens e adultos, que frequentemente preenchem as boas relações com objetos ou alimentos que em breve podem causar desconforto ou desprezo. O valor emocional dos objetos é muito mais importante ao bem-estar do que o acúmulo. Saber escolher é a arte do contentamento! Portanto, escolham com carinho os locais, as pessoas e o que você vai querer de suas férias e curta com muita emoção esse período!

domingo, 10 de julho de 2011

Contardo Calligaris - É fácil desistir de nossos sonhos

Reflexão de Contardo Calligaris sobre o filme "Meia Noite em Paris".

Dedicamos mais energia à tentativa de silenciar os nossos sonhos do que à tentativa de realizá-los 

GIL PENDER, o protagonista do último filme de Woody Allen, "Meia-Noite em Paris", quer deixar de escrever roteiros de sucesso (que ele mesmo acha medíocres) para se dedicar a coisas "mais sérias" e menos lucrativas: um romance, por exemplo. Ele acumulou dinheiro suficiente para tentar essa aventura por um tempo, em Paris, como um escritor americano dos anos 1920.
Infelizmente, Pender está prestes a se casar com uma noiva que aprecia muito seu sucesso atual, mas não tem gosto algum pela incerteza (financeira) de seu sonho. Tudo indica que ele se dobrará às expectativas da noiva, dos futuros sogros e do mundo, renunciando a seu desejo. Talvez seja por causa dessa renúncia, aliás, que noiva e sogros o desprezam (todo o mundo acaba desprezando o desejo de quem despreza seu próprio desejo).
Mas eis que, na noite parisiense, alguns fantasmas do passado levam Pender para a época na qual poderia viver uma vida diferente e mais intensa -a época na qual seria capaz de fazer apostas arriscadas.
A idade de ouro de Pender é a Paris de Hemingway, Fitzgerald, Cole Porter, Picasso etc. Como disse Gertrude Stein (outra protagonista do sonho do herói), eles são a geração perdida, entre uma guerra terrível e outra pior por vir (isso ela não sabia, mas talvez pressentisse). Por que eles fariam a admiração de Pender e a nossa? Hemingway responde quando explica a Pender que, para amar e escrever, é preciso não ter medo da morte. Claro, não ter medo da morte talvez seja pedir muito, mas Pender poderia mesmo se beneficiar com um pouco mais de coragem; se conseguisse decidir sua vida sem medo da noiva e dos sogros, seria um progresso.
Concordo com o que escreveu Marcelo Coelho, em artigo neste mesmo espaço na edição de 22 de junho: uma moral do filme é que "temos só uma vida para viver -a nossa", ou seja, tudo bem sonhar com a idade de ouro, à condição de acordar um dia.
Agora, o que emperra a vida de Pender não é seu sonho nostálgico, é o presente. A nostalgia, aliás, é seu recurso para não se esquecer completamente de seus próprios sonhos. É como se, para preservar seu desejo, ele o situasse numa outra época. Mas preservá-lo de quem?
Antes de mais nada, um conselho. Acontece, às vezes, que nosso sucesso não tenha nada a ver com nossos sonhos -por exemplo, você queria ser promotor de Justiça, mas fez algum dinheiro com a imobiliária de família e aí ficou, renunciando a seu sonho.
Nesses casos, uma precaução: case-se com alguém que ame seu sonho frustrado e não só seu sucesso; sem isso, inelutavelmente, chegará o dia em que você acusará seu casal de ter sido a causa de sua renúncia. Em outras palavras, é possível e, às vezes, necessário renunciar a nossos sonhos, mas é preciso escolher como parceiro alguém que goste desses sonhos e dos jeitos um pouco malucos que usamos para acalentá-los (no caso de Pender, passeios por Paris à meia-noite e na chuva).
Voltemos agora à pergunta: contra quem Pender precisou preservar seu desejo, mandando-o para outra época? Contra a noiva que desconsiderava seus sonhos? Aqui vem outra moral do filme.
Pender não é nenhum caso raro: todos nós, em média, dedicamos mais energia à tentativa de silenciar nossos sonhos do que à tentativa de realizá-los. Muitos dizem que desistiram de sonhos dos quais os pais não gostavam por medo de perder o amor deles. Mas por que Pender recearia perder o amor da noiva, que ele não ama, e dos sogros, que ele ama ainda menos?
O fato é que somos complacentes com as expectativas dos outros (que amamos ou não) à condição que elas nos convidem a desistir de nosso desejo. É isso mesmo, a frase que precede não saiu errada: adoramos nos conformar (ou nos resignar) às expectativas que mais nos afastam de nossos sonhos. Aparentemente, preferimos ser o romancista potencial que foi impedido de mostrar seu talento a ser o romancista que tentou e revelou ao mundo que não tinha talento. Desistindo de nossos sonhos, evitamos fracassar nos projetos que mais nos importam.
Em suma, da próxima vez que você se queixar de que seu casal afasta você de seus sonhos, lembre-se: foi você quem o escolheu.
E mais um conselho: se você encontrar alguém disposto a caminhar na chuva do seu lado, não fuja; molhe-se.


segunda-feira, 4 de julho de 2011

Resposta do "Exercitando o Cérebro" IV

A última imagem trazida no nosso desafio é de uma tela de proteção para obras.
Dêem uma olhada novamente na imagem...agora com um olhar diferente!!!
E aí, adivinharam? Chegaram perto?