quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A Família na Contemporaneidade

A Família - Tarsila do Amaral


Algumas considerações sobre a família contemporânea

Por: Maria Julia Scicchitano Orsi

    A família se modifica através dos tempos, mas em termos conceituais, é um sistema de      vínculos afetivos onde deverá ocorrer o processo de humanização. A transformação histórica do contexto sóciocultural resulta de um processo em constante evolução ao qual a estrutura familiar vai se moldando. No entanto, é importante considerar que por maiores que sejam as modificações na configuração familiar, essa instituição “permanece como unidade básica de crescimento e experiência, desempenho ou falha” (ACKERMAN, 1980 p.29), contribuindo assim, tanto para o desenvolvimento saudável quanto patológico de seus componentes. 
     Se por um lado as conquistas no âmbito do trabalho promoveram 
uma maior inserção da mulher em diferentes segmentos da sociedade, por outro, essa mesma conquista roubou a possibilidade de controle de seu tempo, sobretudo no que se refere à dedicação aos filhos e ao desempenho da função educativa dentro da família. 
    Como conseqüência, houve uma necessidade de reorganização das funções entre marido e esposa, impondo aos homens o desempenho de papéis que anteriormente eram exercidos exclusivamente pelas mulheres. 
    Nesta perspectiva, a família, para Horkheimer e Adorno (1973) está indissoluvelmente ligada à sociedade e seu destino dependerá do processo social e não de sua existência por si só.
   Ao analisar as transformações familiares ocorridas na contemporaneidade, Kehl (apud COMPARATO; MONTEIRO, 2001) ressalta o caráter nostálgico atribuído a família ideal, nuclear e estruturada, que gera uma espécie de dívida tanto da família quanto da mulher atual, fomentada pela industria cultural e pelos meios de comunicação. O peso maior desta dívida recai sobre a mulher, que foi quem mais abandonou suas posições tradicionais na família nos últimos tempos. 
   A família contemporânea, configurada sob novos arranjos, tem sido muitas vezes considerada como desestruturada, o que fundamenta a justificativa do grande aumento no número das psicopatologias de diferentes ordens, incluindo as dificuldades na aprendizagem escolar. Isso tem resultado em uma busca significativa por atendimentos psicoterápicos e psicopedagógicos, frente às falhas da criança em conseguir acompanhar o que se determina atualmente como um desenvolvimento normal da aprendizagem na escola. 
      O excesso de informações e de referenciais que norteiam a educação de filhos ocorre para Kehl (apud COMPARATO; MONTEIRO, 2001) na proporção inversa da autoridade dos pais. Na cultura atual, marcada pelo narcisismo e pelo individualismo, os filhos se tornaram a esperança de imortalidade e de perfeição para os pais. Assim, esta expectativa envolvida por desejo de garantias e de certezas, muitas vezes impede os pais de por si só se responsabilizarem pela educação dos filhos, para não correrem o risco de errar sozinhos e, sobretudo, de carregarem a culpa pelos problemas apresentados pelos filhos.  

Texto na íntegra: http://www.abpp.com.br/abppprnorte/pdf/a08Orsi03.pdf

  

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