sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Você sabe comemorar?
Relacionamentos que dão certo não são aqueles em que não há brigas, mas sim aqueles em que há celebração




Quem me conhece pessoalmente sabe: transpiro minha ascendência italiana por cada um de meus poros. A coisa é tão séria que, apesar de (ainda) não falar o idioma, quando estive na Itália senti- -me tão completamente em casa que me comunicava facilmente com lojistas, motoristas de táxi e toda a sorte de pessoas para as quais precisava me fazer entender. A estratégia era simples: começava falando meu sobrenome e o quanto amava aquele país. Pronto. Trinta segundos depois, estávamos todos gritando e agitando os braços naquele tipo de comunhão que somente os corações italianos são capazes de compreender. Naquele momento, a alegria compartilhada era muito maior do que qualquer barreira linguística, de forma que a comunicação se dava pelo afeto e não por palavras.
Na casa de meus avós, os domingos eram dias de festa regados, como não poderia deixar de ser, pelas maravilhosas comidas que minha avó preparava. Afinal, para a família italiana o carinho começa pelo estômago. Mas, como nem tudo são flores dentre os espécimes de sangue quente, às vezes, o tempo fechava. E, naquele conhecido intervalo de tempo de 30 segundos em que a magia italiana acontece, começavam as discussões. Lembro-me que certa vez, quando criança, havia combinado com um amiguinho da escola de brincarmos no domingo, pois iria almoçar na casa dos meus avós que moravam na mesma rua do tal amigo. Fiquei esperando por ele o dia todo e quando chegou a segunda-feira, fui impiedosa: "Você é o maior furão! Falou que ia me chamar e nem apareceu!" O garoto, meio sem graça, acabou confessando: "Eu fui lá sim. Ia tocar a campainha, mas o pessoal tava brigando..."
"Brigando? Do que você está falando?", disse impaciente. "Ah, sei lá o que era... Mas tava todo mundo gritando tanto que eu fiquei com medo e fui embora."
Soube na hora que o moleque falava a verdade. Essa era minha família. O engraçado é que não estávamos brigando naquele dia. Estávamos apenas conversando. Para aquele que passava na rua talvez houvesse um estranhamento. Mas nós sabíamos diferenciar os gritos de briga daqueles de puro entusiasmo. E mais do que isso: sentíamos que a força do entusiasmo era tamanha que as discussões jamais seriam páreo para ela.
Décadas se passaram e enquanto percorro as páginas do caderno de receitas da minha avó, a fim de preparar mais um almoço que reunirá a família no próximo domingo, tenho uma epifania na qual lanço um olhar científico a esta minha memória infantil.
Ao estudar o comportamento de casais, a professora Shelly Gable, da Universidade da Califórnia, descobriu que o modo como comemoramos é mais preditivo de relações fortes do que a maneira como brigamos com nosso parceiro. Acredito que isso seja verdade para qualquer tipo de relacionamento. E talvez aí esteja o segredo das famílias italianas.
As pesquisas mostram que a maneira pela qual respondemos quando os outros compartilham triunfo conosco pode diretamente construir ou destruir nossos relacionamentos em geral. Quando outras pessoas nos contam um fato positivo que aconteceu com elas, podemos assumir quatro tipos de posturas distintas: ativa- -construtiva, passiva-construtiva, ativa- -destrutiva e passiva-destrutiva.
O passivo-destrutivo é aquele que ao ouvir o parceiro dizer: "Fui promovido e recebi um aumento" simplesmente responde: "O que tem para o jantar?" Sou daquelas que veem no desprezo uma das mais sofisticadas formas de agressão. Me xingue, puxe meus cabelos, grite comigo, chute minha canela. Mas não me ignore. Famílias italianas gritam. Jamais ignoram.
Outra postura possível é a ativa-destrutiva, adotada por aquelas pessoas que ao ouvir o parceiro dar a mesma notícia de sua promoção, disparam: "Será que não é muita responsabilidade para assumir? Aposto que você vai passar menos tempo em casa agora", e por aí vai.
Mas, felizmente, existem formas melhores de compartilhar boas notícias. Na postura passiva-construtiva, a pessoa ouviria a notícia da promoção de seu parceiro e, embora sem apresentar grandes manifestações emocionais diria: "Que boa notícia! Você merece". Ok. Menos mal. Mas ainda insuficiente para quem conhece o significado da palavra celebrar.

AO ESTUDAR O COMPORTAMENTO DE CASAIS, DESCOBRIU-SE QUE O MODO COMO COMEMORAMOS É MAIS PREDITIVO DE RELAÇÕES FORTES DO QUE A MANEIRA COMO BRIGAMOS COM NOSSO PARCEIRO

Relacionamentos promissores são aqueles em que há o predomínio de respostas ativas-construtivas diante das boas notícias trazidas por seus membros. No caso da notícia da promoção que utilizamos como exemplo, uma resposta ativa-construtiva contemplaria, em primeiro lugar, demonstrações efusivas de emoção, tais como um olhar intenso, um toque, um sorriso amplo, um abraço apertado e o início de uma conversa em que se pergunta ao outro os detalhes do ocorrido, manifesta-se o orgulho ou a alegria de compartilhar a notícia e, no caso das famílias italianas, talvez um jantar com um vinho especial e muitos brindes para acompanhar.
Embora a celebração seja uma marca característica da cultura italiana, não pretendo insinuar que a postura ativa-construtiva seja típica desta ou de qualquer outro tipo de cultura. Contudo, ao me dedicar aos preparativos de mais um almoço de domingo, desta vez para 14 pessoas, dei-me conta por que isso me traz tanta alegria. Afinal, há sempre muito o que celebrar!



quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Lançamento - Casa do Psicólogo.


Lançado no último mês de junho, o livro Maternidade e Paternidade reúne as contribuições de importantes grupos de pesquisadores brasileiros que têm se dedicado ao estudo de diferentes aspectos da parentalidade na infância. Cada um dos 16 Capítulos é encabeçado por um autor que integra o Grupo de Trabalho (GT) Interação Pais Bebê/Criança da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia – ANPEPP e que junto com seus colegas compartilham o interesse pela parentalidade nos mais diversos contextos.

Onde comprar?
Nas diversas livrarias já se encontra disponível o livro...mas segue o link no site da Casa do Psicólogo para a compra on-line.


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Com a palavra...os campeões!



Em tempos de olimpíadas andamos vasculhando por aí o que dizem nossos atletas sobre suas vitórias. Não basta treinar o corpo! 
A cada olimpíada vemos o reconhecimento e a valorização dos aspectos psicológicos para o bom desempenho de nossos atletas. 

* Arthur Zanetti - ginasta medalha de ouro nas argolas em Londres 2012:

“Treinei bastante minha série, mas o principal foi treinar o psicológico, que é o que na hora pega. Quando você vê esse público enorme, acaba se sentindo nervoso, mas consegui me controlar bem”, declarou Zanetti  em entrevista à Record. 



* Sarah Menezes - judoca medalha de ouro em Londres 2012:



"- Representa tudo da minha vida. Estou muito feliz mesmo. Ainda estou muito emocionada com a medalha e quero dividir com todos que estiveram comigo na minha carreira.
Sarah agradeceu também a Rosicléia Campos, técnica da equipe brasileira, e disse que se sentiu muito bem desde que entrou na Vila Olímpica, conseguiu segurar a emoção e pensava em luta a luta até chegar ao ouro. Meu pensamento deu certo, até chegar à medalha olímpica.
- Fiz um trabalho psicológico muito forte com a Luciana Castelo Branco. Eu sentia muito a pressão e em Olimpíadas você sente ainda mais. O trabalho fez com que eu conseguisse lutar bem e o ouro chegasse. Já me senti muito bem na Vila Olímpica, dormi bem, estava bem aqui, para as lutas."