quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Felicidade é construída no dia a dia







Exceto para alguns poucos privilegiados, a felicidade raramente vem “pronta”. Em geral, ela é “artesanal” – construída dia a dia, a partir de uma escolha constantemente renovada – e compreende duas possibilidades complementares: o bem-estar atual, imediato, ligado ao momento presente; e o habitual, de longo prazo, que permeia várias instâncias da vida. A primeira forma pode ser descrita como uma experiência intensa de alegria. Inclui o desejo sexual, assim como todos os outros tipos de satisfações sensuais e vivências flow – ou seja, o mergulho intenso e a entrega a uma atividade prazerosa. A sensação de relaxamento quando nos sentamos na varanda, na hora do pôr do sol, após um dia duro e produtivo de trabalho, ao lado da pessoa que amamos, e colocamos as pernas para cima ou o frescor estimulante que experimentamos durante um banho em uma cachoeira são exemplos de felicidade atual. Nesses casos, surge uma sensação agradável que alguns psicólogos chamam de “afeto positivo”. Muitas pessoas já descobriram que conseguem se motivar para realizar tarefas desagradáveis ao antecipar em sua mente a sensação boa que as preencherá após o término bem-sucedido da atividade.

Embora muita gente subestime sistematicamente os detalhes e as pequenas gentilezas tanto na vida privada quanto na profissional, um meio bastante eficiente para ampliar o próprio bem-estar é investir em afetos positivos no convívio social, expressos por meio de um sorriso, um elogio sincero ou palavras gentis. O problema é que muitos aprenderam a se relacionar segundo princípios que lhes parecem lógicos: “Se eu gosto de você, não preciso lhe dizer; quando não gostar mais, então eu lhe digo” ou “Não reclamar é o mesmo que elogiar”. Será mesmo? 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Você sabe comemorar?
Relacionamentos que dão certo não são aqueles em que não há brigas, mas sim aqueles em que há celebração




Quem me conhece pessoalmente sabe: transpiro minha ascendência italiana por cada um de meus poros. A coisa é tão séria que, apesar de (ainda) não falar o idioma, quando estive na Itália senti- -me tão completamente em casa que me comunicava facilmente com lojistas, motoristas de táxi e toda a sorte de pessoas para as quais precisava me fazer entender. A estratégia era simples: começava falando meu sobrenome e o quanto amava aquele país. Pronto. Trinta segundos depois, estávamos todos gritando e agitando os braços naquele tipo de comunhão que somente os corações italianos são capazes de compreender. Naquele momento, a alegria compartilhada era muito maior do que qualquer barreira linguística, de forma que a comunicação se dava pelo afeto e não por palavras.
Na casa de meus avós, os domingos eram dias de festa regados, como não poderia deixar de ser, pelas maravilhosas comidas que minha avó preparava. Afinal, para a família italiana o carinho começa pelo estômago. Mas, como nem tudo são flores dentre os espécimes de sangue quente, às vezes, o tempo fechava. E, naquele conhecido intervalo de tempo de 30 segundos em que a magia italiana acontece, começavam as discussões. Lembro-me que certa vez, quando criança, havia combinado com um amiguinho da escola de brincarmos no domingo, pois iria almoçar na casa dos meus avós que moravam na mesma rua do tal amigo. Fiquei esperando por ele o dia todo e quando chegou a segunda-feira, fui impiedosa: "Você é o maior furão! Falou que ia me chamar e nem apareceu!" O garoto, meio sem graça, acabou confessando: "Eu fui lá sim. Ia tocar a campainha, mas o pessoal tava brigando..."
"Brigando? Do que você está falando?", disse impaciente. "Ah, sei lá o que era... Mas tava todo mundo gritando tanto que eu fiquei com medo e fui embora."
Soube na hora que o moleque falava a verdade. Essa era minha família. O engraçado é que não estávamos brigando naquele dia. Estávamos apenas conversando. Para aquele que passava na rua talvez houvesse um estranhamento. Mas nós sabíamos diferenciar os gritos de briga daqueles de puro entusiasmo. E mais do que isso: sentíamos que a força do entusiasmo era tamanha que as discussões jamais seriam páreo para ela.
Décadas se passaram e enquanto percorro as páginas do caderno de receitas da minha avó, a fim de preparar mais um almoço que reunirá a família no próximo domingo, tenho uma epifania na qual lanço um olhar científico a esta minha memória infantil.
Ao estudar o comportamento de casais, a professora Shelly Gable, da Universidade da Califórnia, descobriu que o modo como comemoramos é mais preditivo de relações fortes do que a maneira como brigamos com nosso parceiro. Acredito que isso seja verdade para qualquer tipo de relacionamento. E talvez aí esteja o segredo das famílias italianas.
As pesquisas mostram que a maneira pela qual respondemos quando os outros compartilham triunfo conosco pode diretamente construir ou destruir nossos relacionamentos em geral. Quando outras pessoas nos contam um fato positivo que aconteceu com elas, podemos assumir quatro tipos de posturas distintas: ativa- -construtiva, passiva-construtiva, ativa- -destrutiva e passiva-destrutiva.
O passivo-destrutivo é aquele que ao ouvir o parceiro dizer: "Fui promovido e recebi um aumento" simplesmente responde: "O que tem para o jantar?" Sou daquelas que veem no desprezo uma das mais sofisticadas formas de agressão. Me xingue, puxe meus cabelos, grite comigo, chute minha canela. Mas não me ignore. Famílias italianas gritam. Jamais ignoram.
Outra postura possível é a ativa-destrutiva, adotada por aquelas pessoas que ao ouvir o parceiro dar a mesma notícia de sua promoção, disparam: "Será que não é muita responsabilidade para assumir? Aposto que você vai passar menos tempo em casa agora", e por aí vai.
Mas, felizmente, existem formas melhores de compartilhar boas notícias. Na postura passiva-construtiva, a pessoa ouviria a notícia da promoção de seu parceiro e, embora sem apresentar grandes manifestações emocionais diria: "Que boa notícia! Você merece". Ok. Menos mal. Mas ainda insuficiente para quem conhece o significado da palavra celebrar.

AO ESTUDAR O COMPORTAMENTO DE CASAIS, DESCOBRIU-SE QUE O MODO COMO COMEMORAMOS É MAIS PREDITIVO DE RELAÇÕES FORTES DO QUE A MANEIRA COMO BRIGAMOS COM NOSSO PARCEIRO

Relacionamentos promissores são aqueles em que há o predomínio de respostas ativas-construtivas diante das boas notícias trazidas por seus membros. No caso da notícia da promoção que utilizamos como exemplo, uma resposta ativa-construtiva contemplaria, em primeiro lugar, demonstrações efusivas de emoção, tais como um olhar intenso, um toque, um sorriso amplo, um abraço apertado e o início de uma conversa em que se pergunta ao outro os detalhes do ocorrido, manifesta-se o orgulho ou a alegria de compartilhar a notícia e, no caso das famílias italianas, talvez um jantar com um vinho especial e muitos brindes para acompanhar.
Embora a celebração seja uma marca característica da cultura italiana, não pretendo insinuar que a postura ativa-construtiva seja típica desta ou de qualquer outro tipo de cultura. Contudo, ao me dedicar aos preparativos de mais um almoço de domingo, desta vez para 14 pessoas, dei-me conta por que isso me traz tanta alegria. Afinal, há sempre muito o que celebrar!



quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Lançamento - Casa do Psicólogo.


Lançado no último mês de junho, o livro Maternidade e Paternidade reúne as contribuições de importantes grupos de pesquisadores brasileiros que têm se dedicado ao estudo de diferentes aspectos da parentalidade na infância. Cada um dos 16 Capítulos é encabeçado por um autor que integra o Grupo de Trabalho (GT) Interação Pais Bebê/Criança da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia – ANPEPP e que junto com seus colegas compartilham o interesse pela parentalidade nos mais diversos contextos.

Onde comprar?
Nas diversas livrarias já se encontra disponível o livro...mas segue o link no site da Casa do Psicólogo para a compra on-line.


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Com a palavra...os campeões!



Em tempos de olimpíadas andamos vasculhando por aí o que dizem nossos atletas sobre suas vitórias. Não basta treinar o corpo! 
A cada olimpíada vemos o reconhecimento e a valorização dos aspectos psicológicos para o bom desempenho de nossos atletas. 

* Arthur Zanetti - ginasta medalha de ouro nas argolas em Londres 2012:

“Treinei bastante minha série, mas o principal foi treinar o psicológico, que é o que na hora pega. Quando você vê esse público enorme, acaba se sentindo nervoso, mas consegui me controlar bem”, declarou Zanetti  em entrevista à Record. 



* Sarah Menezes - judoca medalha de ouro em Londres 2012:



"- Representa tudo da minha vida. Estou muito feliz mesmo. Ainda estou muito emocionada com a medalha e quero dividir com todos que estiveram comigo na minha carreira.
Sarah agradeceu também a Rosicléia Campos, técnica da equipe brasileira, e disse que se sentiu muito bem desde que entrou na Vila Olímpica, conseguiu segurar a emoção e pensava em luta a luta até chegar ao ouro. Meu pensamento deu certo, até chegar à medalha olímpica.
- Fiz um trabalho psicológico muito forte com a Luciana Castelo Branco. Eu sentia muito a pressão e em Olimpíadas você sente ainda mais. O trabalho fez com que eu conseguisse lutar bem e o ouro chegasse. Já me senti muito bem na Vila Olímpica, dormi bem, estava bem aqui, para as lutas."



terça-feira, 24 de julho de 2012

Sobre o filme: "Tão forte e tão perto".


O caminho partilhado
Para superar a dor causada pela perda do pai, morto no atentado de 11 de setembro de 2001, um menino autista empreende uma jornada pelas ruas de Nova York
por Gláucia Leal
© DIVULGAÇÃO
O processo de elaboração de uma perda muito dolorosa pode ser comparado ao desatar de vários pequenos laços. É difícil falar em tempo de elaboração nesses casos, mas é possível considerar o período de um ano para que a dor mais intensa seja experimentada, suportada e elaborada – ainda que não termine. Por que 12 meses? Na verdade, o prazo é mais simbólico que cronológico, pois nesse período são vividas todas as datas comemorativas, como Natal e aniversários. Para seguir adiante, é imprescindível o desligamento da libido, uma ideia que aparece no texto Luto e melancolia, de Freud, de 1915. “O objeto não morreu verdadeiramente, foi perdido como objeto amoroso (...). Em outros casos ainda achamos que é preciso manter a hipótese da perda, mas não podemos discernir claramente o que se perdeu, e é lícito supor que o doente pode ver conscientemente o que perdeu”, escreve o criador da psicanálise. O filme Tão forte e tão perto, dirigido por Stephen Daldry, fala desse desligamento necessário.

Sem passar por esse processo, torna-se impossível retomar (ou iniciar) outros investimentos libidinais e há o risco de que seja desencadeado um quadro melancólico. Para superar a saudade do pai, interpretado por Tom Hanks, morto no atentado às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001, em Nova York, o protagonista, Oskar Schell, de 11 anos, vivido por Thomas Horn, empreende uma sofisticada jornada quando encontra uma misteriosa chave.

No dia do ataque, o pai havia ido a uma reunião de negócios no restaurante no topo da Torre Norte, a primeira a ser atingida. Nenhuma das pessoas que estava no local sobreviveu, mas muitas conseguiram falar com pessoas queridas antes do desabamento. Ele chega a ligar para casa várias vezes antes de a torre cair e deixa mensagens na secretária eletrônica. Oskar as ouve, mas esconde esse fato da mãe. Atormentado, tenta encontrar algum sentido para o fenômeno atravessado pela intangível brutalidade.

Começa aí uma espécie de intricada caça ao tesouro, cujo prêmio por superar os medos, a solidão e a angústia é a possibilidade de reintegrar psiquicamente a figura paterna e livrar-se da culpa por não ter sido “melhor” do que foi possível ser.

Nessa busca, o garoto encontra-se com o “inquilino” idoso que se hospeda na casa de sua avó, a poucos metros de sua residência. Gradualmente, o homem que nunca diz nada, apenas escreve mensagens em um bloquinho, adquire papel importante na vida do menino ao engajar-se de forma silenciosa (e por vezes relutante) na expedição.

Oskar apresenta sintomas do espectro autista, mas essa característica é pouco explorada no filme e ganha maior ênfase no livro Extremamente alto e incrivelmente perto (Rocco, 2006), de Jonathan Safran, no qual o filme se baseia. Porém, independentemente de eventuais sintomas mais ou menos óbvios, Oskar é uma criança excepcional: extremamente inteligente, gosta de inventar coisas, admira a cultura francesa e é um inveterado defensor da paz mundial. O livro tem seu encanto, uma vez que recursos gráficos como imagens, anotações, números e espaços propositadamente mantidos em branco enriquecem a narrativa do protagonista.

Deixando de lado a tentação de estabelecer comparações, o filme tem muito a dizer. Algumas constatações permeiam a história. A primeira é óbvia, mas vale ser lembrada: nunca é possível reconhecer o último momento de felicidade que antecede uma tragédia. A segunda, atrelada à anterior, é que, por mais que tentemos negar, a impermanência se faz presente. E embora saibamos que tudo muda a todo o momento tendemos a nos agarrar ao que parece estável – o que inevitavelmente leva à frustração.

Procurando respostas que supram as lacunas do luto, Oskar encontra vários personagens, cada um com os próprios anseios, tragédias pessoais e alegrias – possivelmente essas pessoas e suas vicissitudes representem um aspecto subjetivo a ser encontrado, visitado e acolhido. A forma como o menino faz essas aproximações revela, a cada momento, a presença viva do pai em contraste com a da mãe – desenergizada e “morta” aos olhos do filho, aparentemente entregue à própria dor e incapaz de acolhê-lo. Mas só parece: ela oferece respaldo à aventura do menino.

Para quem se dedica ao atendimento e à escuta de pessoas, o filme reserva uma espécie de “plus”. A função do personagem da mãe pode ser comparada à do psicanalista que dá suporte ao paciente, muitas vezes de forma discreta, acompanhando seus movimentos de forma intensa e próxima. A revelação da força e da dedicação da mãe confere aspectos inesperados à trama. Enquanto o menino segue mapas, desafia-se, revive e reencena a morte do pai, criando chances de superar o trauma, a mãe vela por ele. Delicadamente, refaz os passos do menino. E ao partilhar o caminho percorrido ela encontra o próprio trajeto para superar a melancolia.

TÃO FORTE E TÃO PERTO
129 min – Estados Unidos, 2011
Direção: Stephen Daldry
Elenco: Tom Hanks, Sandra Bullock, John
Goodman, Max von Sydow, James Gandolfini,
Jeffrey Wright, Thomas Horn, Adrian Martinez,
Zoe Caldwell, Gina Varvaro
Gláucia Leal é jornalista, psicóloga, psicanalista e editora de Mente&Cérebro.

fonte:  http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/o_caminho_partilhado.html

domingo, 3 de junho de 2012

Mães nos Estados Unidos também se esforçam para equilibrar filhos e emprego

Pesquisa entrevistou 601 trabalhadoras para descobrir como elas lidam com a maternidade

 Shutterstock
Não está sendo fácil pra você balancear filhos e trabalho? Se você também sofre com esse dilema, saiba que não está sozinha no mundo. Uma pesquisa divulgada neste mês pela empresa norte-americana CareerBuilder mostrou que no outro hemisfério as mulheres também enfrentam esse problema. E muitos dos dados são bem parecidos com os revelados pela pesquisa CRESCER Mães e Trabalho.
O levantamento mostrou que uma em cada quatro mães norte-americanas acha que precisa escolher entre os filhos e o sucesso na profissão. O mesmo número afirma ter perdido três ou mais eventos significativos da vida dos pequenos por conta do trabalho no último ano. Aqui no Brasil, esse sentimento de estar longe e perdendo alguma coisa também é comum. No estudo feito pela CRESCER em 2011, apenas 25% das 5 mil participantes se mostraram satisfeitas com o tempo que passam ao lado dos filhos e 68% abririam mão de parte do salário para reduzir sua jornada.

Um dos dados mais impressionantes apontado pelo levantamento, que consultou 601 mães trabalhadoras e 729 pais trabalhadores, diz respeito à licença-maternidade. Uma em cada dez mulheres revelou ter ficado duas semanas ou menos de licença. Outras quatro em cada dez ficaram seis semanas ou menos. A pesquisa atribuiu essa tendência aos ambientes de trabalhos competitivos e cargos de muita responsabilidade. Aqui no Brasil, as mães costumam aproveitar melhor os quatro meses aos quais têm direito e muitas ainda se beneficiam dos dois meses extras dados às servidoras públicas e às funcionárias de empresas privadas que aderiram ao Programa Empresa Cidadã.

Mesmo com tantas tarefas, boa parte das mães, tanto cá como lá, conseguem passar mais de quatro horas com os filhos diariamente. Nos Estados Unidos, metade das mulheres passa quatro ou mais horas com a prole, segundo a CareerBuilder. No Brasil, 37% contaram à CRESCER que ficam mais de cinco horas ao lado dos filhos. Mas, para todas elas, esse tempo ainda é pouco. Você também se sente assim?

Fonte: http://revistacrescer.globo.com

terça-feira, 29 de maio de 2012

A fase do "Por Quê"

Por Carlos São Paulo

Meus filhos, na primeira infância, adoravam me ouvir contando histórias de Ruth Rocha. A mais cotada era Marcelo, marmelo, martelo. Depois, com os meus netos, percebi neles igual entusiasmo. O livro começava com os questionamentos do garoto Marcelo. Ele queria entender o motivo de a chuva cair, o mar não derramar, e o cachorro ter quatro patas. Tal situação me remeteu à "infância" da própria humanidade, quando os homens explicavam o mundo em que habitavam.

O simbólico carrega muito mais coisas do que pode mostrar, enquanto o literal apenas descreve e não o aprofunda. Jung considerava que as transformações no desenvolvimento do indivíduo recapitulam o desenvolvimento da própria humanidade. Então, a criança, ou a infância da humanidade, tenta mostrar uma lógica "poética" aos fenômenos observados, pois é dessa forma que a psiquê funciona.

Antes da ciência que hoje conhecemos, os homens, ao explicarem os fenômenos desconhecidos, criavam histórias que esclareciam aos estudiosos a engrenagem da psiquê. São os mitos - largamente utilizados para entender o homem. Ao interpretarem, por exemplo, que a Terra era o centro do Universo, compensavam a necessidade de encontrar uma importância para a existência do homem na Terra. Os alquimistas, por sua vez, ao procurarem a Pedra Filosofal, observavam os fenômenos
Na humanidade selvagem, tudo que hoje é simbólico era experimentado como literal. em Marcelo, Marmelo, Martelo, Ruth Rocha retrata esse estágio de consciência na doce infância
 da transformação da matéria e projetavam suas fantasias que serviriam à Psicologia Analítica.

Criamos mitos e com eles construímos alegrias e sofrimentos. Em Vidas secas, de Graciliano Ramos, a criança mais nova se identificava com o pai semianalfabeto, mas sonhava ser como ele.

"O SIMBÓLICO CARREGA MAIS DO QUE PODE MOSTRAR, ENQUANTO O LITERAL APENAS DESCREVE E NÃO O APROFUNDA. A INFÂNCIA DA HUMANIDADE TENTA MOSTRAR UMA LÓGICA "POÉTICA", É ASSIM QUE A PSIQUÊ FUNCIONA"

A história de Marcelo vive com o menino tentando encontrar uma lógica para a linguagem. Por que ele se chamava Marcelo e não marmelo ou martelo? A língua se expressa por meio de formas e associações do significante com o significado. Marcelo não entendia a lógica, porque ela se relaciona com a raiz da palavra que ao longo do tempo vai escondendo sua raiz por ir adquirindo camadas de significados diversos.

Imagem: Shutterstock

Por exemplo, Marcelo não entendeu a explicação do pai em relação ao bolo ser redondo, já que sua mãe fazia bolos quadrados. Ora, no latim, a observação de uma bolha de ar que surge na superfície da água, corresponderia ao som... bulla. Por isso, passamos a chamar essas formas esféricas de bolo. E, só porque o papa emitia certos documentos explicativos, do certo e errado, usando selos de lacre de forma redonda, tais informativos foram chamados de bula papal. O mesmo passou a ocorrer com as bulas dos remédios, por extensão a essa situação. Nossa cabeça também é uma bola sobre os ombros, daí ao planejarmos algo dizemos que "bolamos" essa coisa.

Para a palavra cadeira, Marcelo achava mais lógico chamá-la de "sentador". O latim denominava cathedra o assento especial dedicado às autoridades. No entanto, a parte do corpo que se acomoda ao sentarmos também chamamos de cadeira. A cadeira ainda pode ser a definição de um lugar especial que se ocupa, por exemplo, na Academia Brasileira de Letras. A palavra mesa também veio do latim mensa, mas mesada e mensalão vieram de mês. É uma raiz que no indo-europeu chamavase tanto mês como lua. Lua e mês têm sua lógica, já que há uma regularidade no tempo em que fases da lua denunciam a passagem do tempo medido em mês.

Marcelo, marmelo, martelo Autor: Ruth Rocha Editora: SALAMANDRA Ano de Edição: 1999 Nº de Páginas: 64

Essa lógica das palavras se perdeu no tempo, pois estava na raiz que vai ficando cada vez mais escondida à medida que as gerações se sucedem e a linguagem sofre suas transformações. Eu nasci no estado da Bahia e, por isso, sou baiano. Qual a lógica de se escrever Bahia com h e baiano sem h? Baía vem da palavra arredondar, que no latim se diziabaiare. Baía passou a ser o local onde o navio podia aportar. Isso inspirou Américo Vespúcio a batizar o meu estado de Bahia. Os linguistas convencionaram que Bahia continuaria com h, mas tudo que não fosse referência ao estado perdia o h. Ou seja, sabemos que a linguagem nasce das coisas e não as coisas das palavras.


Ao crescermos, perdemos nossa capacidade de fantasiar. No entanto, podemos resgatá-la se soubermos contar com a criança que nos habita. É essa criança a responsável pela fantasia dos poetas. A criança pode dizer que a árvore estava despenteada e o poeta entende. O poeta quando diz que o mar derramou sobre as rochas, é um ser adulto em contato com a sua criança, buscando mexer com as emoções e o uso do belo na linguagem, as metáforas. No entanto o garoto pode fazer a mesma poesia com outra intenção, a de questionar a lógica das coisas. A linguagem do poeta e do infante se aproxima de um ponto anterior ao nascimento da consciência.

A história termina mostrando que a comunicação em níveis diferentes dificulta o entendimento dentro de uma lógica. Quando duas pessoas em estágios desiguais de consciência dialogam, existirão dificuldades para se entenderem. Talvez seja essa a grande questão da humanidade. Há um mundo simbólico que está separado do mundo lógico que só consegue ver as coisas de forma literal. É esse o grande abismo a ser superado: o abismo entre o mundo dos poetas e a linguagem dos concretos. É tentar uma vez ou outra ser Marcelo, marmelo ou martelo.

Valorizar experiências pessoais dos alunos aumenta aprendizado


Educadores devem considerar que o cérebro humano funciona de maneira única em cada estudante; aproximar pedagogia e neurociência pode significar melhoria da qualidade de ensino
por Gláucia Leal
© Marish/Shutterstock
Não basta entender como se aprende, é preciso descobrir a melhor forma de ensinar. Há décadas, a psicologia, amparada pela neurocência, difunde que quando um aluno que se sente afetivamente protegido é desafiado a aprender, ocorrem mudanças físicas e químicas em seu cérebro, o que facilita o acolhimento e a reconstrução de informações.


A pedagogia neurocientífica, como denominam alguns pesquisadores, pode ser compreendida como o estudo da estrutura, do desenvolvimento, da evolução e do funcionamento do sistema nervoso com enfoque plural: biológico, neurológico, psicológico, matemático, físico e filosófico. Nessa equação complexa, processos químicos e interações ambientais se aproximam e se complementam, propiciando aquisição de informações, resolução de problemas e mudanças de comportamento. Na prática, a aproximação entre as neurociências e a pedagogia pode reverter em melhoria da qualidade de ensino para milhares de estudantes.


Os benefícios são bem-vindos – e necessários. Afinal, a realidade é preocupante. Levantamento do Ministério da Educação revela que 20% dos brasileiros entre 15 e 19 anos são analfabetos, o que representa 12% da população brasileira. Segundo relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o Brasil tem o sétimo maior contingente de analfabetos do planeta. Mais que mapear o cérebro, desvendar meandros de seu funcionamento, compreender fluxos e refluxos de neurotransmissores, acompanhar dinâmicas complexas e transformar passos da resolução de um problema em modelos matemáticos, observar e diagnosticar, pesquisadores de diferentes segmentos estão interessados nas implicações sociais da aquisição de conhecimentos que possibilitem a inclusão de milhares de crianças, adolescentes e adultos – e não apenas no que diz respeito à quantidade de pessoas com acesso à escola, mas também levando em conta a qualidade da educação
oferecida.


O cérebro humano, porém, não possui nenhum módulo automático que permita o domínio de práticas como a leitura, a escrita ou o cálculo. O aprendizado é sempre um processo único, que envolve afeto. Por isso, conhecer a história do aluno e tratá-lo como sujeito único pode mudar o rumo de sua vida. É fundamental valorizar suas experiências.

A professora de história da escrita do Museu Metropolitano de Nova York e ex-professora do Instituto de Psicologia da USP Elvira Souza Lima costuma contar aos profissionais que assessora uma experiência que viveu com índios na Amazônia. Como na maior parte das escolas que visita, os professores de lá se queixavam da “falta de memória” das crianças, até para fixar conceitos considerados simples, como cores. Ela, então, perguntou a um aluno de que cor era a árvore. “Depende”, respondeu ele. Depende da parte da árvore, do tipo, da hora do dia e de como a luz incide sobre ela. Parece banal, mas é fundamental que o professor compreenda como o cérebro da criança funciona para ajudá-la a aprender. Caso contrário, o professor vai teimar que a árvore é verde e o aluno apenas vai decorar a resposta, sem que isso faça sentido para ele.


É muito importante que o professor saiba que o cérebro humano se organiza em torno da formação de significados. Um campo de significação é uma rede de informações e experiências relacionadas entre si que constituem sentidos para o indivíduo e possibilitam a formação de outros significados. A aprendizagem formal ocorre se houver, no procedimento pedagógico, previsão de trazer o novo relacionado a um conhecimento prévio do indivíduo, o que facilita construções e desdobramentos de sentidos.

Fonte: 

sábado, 12 de maio de 2012

O combustível da vida!


Feliz dia das mães para todas elas!!!
O amor da dupla mãe-filho nunca deixa de ser moderno e combustível dessa relação....
"O amor de mãe é o combustível que permite um ser humano a fazer o impossível".
(Marion C. Garretty)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Citação Winnicott...

Volte à infância aprendendo movimentos novos


Lembra de quando você queria pegar aquele lindo móbile girando sobre a sua cabeça e sua mão não obedecia? Claro que não, você era bebê. Adultos já dominam todos os movimentos voluntários que podem fazer... será?
Se você gostaria de ter uma idéia da agonia que dava tentar controlar sua mão e não conseguir, e entender por que, assim que conseguia, você logo repetia o mesmo movimento trinta vezes seguidas, aqui vão algumas sugestões de novos movimentos que você pode aprender a controlar, mas talvez nunca tenha tentado.
1 – Vá para a frente do espelho e pisque um olho só (caso você não tenha aprendido a fazer isso quando era criança).
2 – Muito fácil? Continue na frente do espelho e tente erguer uma sobrancelha sem mexer a outra.
3 - Tire o sapato e tente mexer o dedinho do pé sem mexer os outros dedos (essa é mais fácil).
4 - Volte para a frente do espelho e tente arreganhar as narinas para os lados, como fazem animais enraivecidos - mas sem franzir o nariz!
E aí? Teve aquela surpresa boa quando conseguiu pela primeira vez? Deu aquela sensação de tentar "lembrar como eu fiz daquela vez" e ficar contente quando funcionou de novo? Repetiu várias vezes só para ter o gostinho de conseguir de novo?
Parabéns! Você agora sabe na própria pele como funciona o aprendizado motor:
- Com cada tentativa você cria e testa um “esquema motor” no cérebro (como se fosse uma nova escalação de um time de futebol), que comanda uma determinada combinação de músculos. No começo não funciona, e você acaba mexendo o que não queria.
- Quando finalmente dá certo, seu cérebro compara a informação chegando pelos sentidos com uma "cópia interna" das sensações esperadas - por exemplo, o mindinho se afastando do pé, ou a visão de uma única sobrancelha se levantando -  e detecta que a ordem “funcionou”. Quer dizer: o que você se vê fazer combina com o planejado. (Aqui você nota, aliás, a importância do retorno sensorial, ou feedback: para aprender é preciso saber se cada tentativa é bem-sucedida ou não).
- O cérebro fica contente, literalmente, e ativa o sistema de recompensa, produzindo substâncias como a dopamina que vão ajudá-lo a fixar aquele esquema motor que funcionou. Para isso serve a repetição: cada vez que você repete o movimento, você reativa o novo esquema motor, que vai se fortalecendo. O resultado é que cada vez fica mais fácil conseguir acionar o comando do novo movimento – e cada vez seu cérebro vai ficando mais contente, num círculo vicioso.
Curiosamente, seu cérebro não "criou" do nada neurônios que conseguiam comandar esses movimentos, mas aprendeu a reconhecer quais neurônios, ativados em conjunto e na hora certa, levam ao movimento esperado - e então passou a conseguir ativá-los sob demanda.
Por isso as crianças gostam tanto de repetir brincadeiras novas: o cérebro gosta de aprender. Até aprender as coisas mais inúteis, como erguer uma sobrancelha só. Aposto que você ficou se rindo sozinho na frente do espelho, não foi? Que criança...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Faça o teste e se surpreenda!



Olhe para esta figura por alguns instantes e decida: para que lado a bailarina gira?
 RotatingBallerina.gif
Agora, feche os olhos por alguns instantes, abra-os e tente enxergar a bailarina girando no sentido oposto. Consegue? Se não conseguir, vá dar uma volta, leia outras coisas, depois volte aqui no site e veja a bailarina de novo. Constatar que ela pode subitamente girar para o lado oposto é uma surpresa e tanto!
A surpresa, claro, é oferecida pelo seu cérebro: esta imagem é uma série de 34 quadros que não mudam de ordem (eu chequei, mas, se você quiser se convencer, bastar salvar esta imagem e abri-la em um editor que a mostre quadro-a-quadro), repetidos em loop.

O cérebro enxerga movimento onde não há a partir da interpolação entre imagens sucessivas. Assim funcionam o cinema, os desenhos animados e aqueles filminhos que aprendemos a desenhar quando crianças na margem dos cadernos. E assim as 34 imagens da dançarina são interpretadas como cenas sucessivas de uma moça que gira sobre uma perna só.
StaticBallerina.gif
Mas qual perna? Aqui está o truque: as imagens no filminho acima são ambíguas. Metade delas tanto pode representar a bailarina vista de frente quanto de costas; na outra metade das imagens, onde ela aparece de lado, a perna levantada pode ser tanto a esquerda quanto a direita (tente se convencer disso com a imagem estática ao lado).
O cérebro, no entanto, não se entende com ambiguidades, e tenta sempre encaixar suas representações do mundo em uma explicação única, coerente: se há movimento, ou bem a bailarina gira para a direita, ou para a esquerda. Em momentos diferentes, você pode enxergar ora a um movimento no sentido horário, ora no anti-horário - mas, a cada momento, o movimento só pode ser um.
O que nos faz enxergar a Bailarina Ambígua girando, digamos, para a esquerda, e não para a direita? Acaso, talvez, ou algum processo já em andamento no cérebro naquele instante que torna a interpretação tendenciosa para um lado ou outro.
Mas a informação, e com ela nossas expectativas, faz uma diferença. Por exemplo, quando o cérebro percebe a Bailarina Ambígua girando para a direita, no sentido horário, ele percebe a perna direita levantada; quando percebe a Bailarina girandopara a esquerda, no sentido anti-horário, ele enxerga a perna esquerda levantada. Você pode usar esse conhecimento para tentar mudar suas expectativas e convencer seu cérebro (ou seja, convencer a si mesmo!) a interpretar a mesma bailarina de duas maneiras diferentes.

Esta imagem aparece em uma matéria da Australian Associated Press como parte de um suposto "teste de lateralidade cerebral". Segundo eles, quem vê a bailarina girar no sentido horário "usa mais o lado direito do cérebro"; quem vê a bailarina girar no sentido anti-horário "usa mais o lado esquerdo do cérebro".
A parte da lateralidade é, até onde eu sei, besteira - como a maior parte das declarações da pseudo-psicologia popular que banaliza (incorretamente) a lateralização cerebral (que existe!) como sendo o lado direito do cérebro emocional e o lado esquerdo, racional. Mas isso é outra estória...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Mãe e a fronteira do céu

A relação de uma mãe com seu filho é de uma singularidade que nenhum outro vínculo afetivo é capaz de compreender


Escrevi recentemente uma coluna, neste espaço, sobre o pai. Mais que depressa, minha editora, em nome das não concernidas, escreveu- me: "e a idealização da mãe, aquela que deve 'padecer no paraíso?'. Será que esta mãe é humana? É mortal? Enfim, lá no fundinho, ela é real mesmo?".

Vamos lá, falemos da mãe, começando por essa frase tão antiga, repetida e de múltiplos sentidos: "ser mãe é padecer no paraíso". Provavelmente trata-se de uma tradução leiga do Gênesis, do "parirás com dor", maldição lançada por Deus contra a mulher desobediente. A dor surge exatamente no momento da maior alegria que um ser humano pode ter: dar à luz um novo ser. A editora pergunta se não é exagerado associar a maternidade ao paraíso, mesmo que dolorido. Pensa-se que não. Isso fala de uma especificidade do amor materno, diferente do paterno.

Estudemos uma cena mais que habitual. Pai, mãe e filho-bebê estão na sala. O bebê fala, por assim dizer, faz um barulho como "ióóó". O pai fica indiferente, a mãe exclama: "Ah, coitadinho, está com fome". Passado certo tempo, lá vem o bebê de novo, agora com: "heiuc, heiuc". Pai, impassível. Mãe: "Você viu como ele está contente com o novo chocalho?". Daí, em seguida, para dizer que "spé, spé" é dor de ouvido, fica fácil. O pai disfarça seu espanto descrente desse diálogo, a ele, esquisitíssimo. Mas imagine só se não houvesse alguém suficientemente "imaginativo", sendo delicado, para interpretar esses primeiros balbucios incompreensíveis a um pai?


A RELAÇÃO DA MÃE COM UM FILHO É IMEDIATA. O PAI FICA LOUCO PARA QUE O FILHO COMECE A FALAR E ANDAR PARA QUE ELE O SINTA COMO SEU FILHO


A relação de uma mãe com um filho é imediata, ela não depende das formas estabelecidas da cultura. O pai fica louco para que o filho comece a falar e andar para que ele o sinta como seu filho. Batismo para pai é o primeiro jogo de futebol juntos. Ah! Aí a alegria independe do resultado do jogo! Mãe, não. Vejamos outro exemplo, mais triste, mas não menos evidente. O que vemos nas filas das portas dos presídios em dias de visitas? Mães ou pais? Mães, a resposta é fácil, dada a grande discrepância. Como amor de mãe não tem o intermediário da cultura - é direto -, filho nunca é criminoso, é sempre, e antes de tudo, filho. Chico Buarque cantou esse aspecto em Meu guri, a história daquela mãe que diante de todas as evidências da bandidagem do guri, continuava a vê-lo como um anjo de altar. Assim são as mães.

Se paraíso é a contemplação direta do divino, ser mãe tem um quê de paradisíaco, pois assim ela vê seu filho. E a dor? Ora, a dor, paradoxalmente, pode até ser buscada como marca de ligação com o filho, do gênero da equação emocional: "Se sofro dessa maneira, é só por você, porque você é meu filho". É o uso do sofrimento como assinatura do cartório do paraíso.

Hoje, de fato, está um pouco em desuso choramingos maternais. A liberação sexual e econômica da mulher é um pouco incompatível com essa ideia de mater dolorosa; fala-se, então, em uma mãe real. Mas o que será isso: "mãe real"? Aquela que cuida dos filhos, que trabalha, se arruma e namora? Sim, conhecemos essa mãe, é a mãe objetiva, que vive reclamando de seus vários empregos, fora de casa e em casa, que requer direitos sobre sua alegada dupla ou tripla jornada de trabalho, que está exausta, arre! Pobre moça! Será que não fica mais fácil dizer sobre sua satisfação de poder ter vários papéis e ainda manter só para si o prazer enorme de poder traduzir um grunhido de uma criança em: "te amo, mamãe", ao qual pai nenhum pode contestar?

Existem mães que, preocupadas com suas imperfeições, exageram na busca de manuais da mãe exemplar. Não é um bom caminho, acabam dando material para as caricaturas tão conhecidas do Ziraldo. Não existe mãe perfeita nem ideal, há, sim, para cada um, alguém que cumpre essa função com suas qualidades e defeitos. E é sempre melhor que o fi- lho enfrente o defeito de uma mãe que o de um suposto técnico em maternidade. Falava-se antigamente que a mãe perfeita seria a mãe asmática, pois ao responder imediatamente a cada pedido do filho, antes mesmo que ele se pronunciasse, acabava por sufocá-lo.

Enfim, mãe, sofrer no paraíso é demasiadamente humano e mortal. É o passaporte de dupla nacionalidade: o de fora e o de dentro da cultura; é a fronteira do céu.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A dança da cooperação


Pessoas tendem a ser mais empáticas quando executam ações simultâneas
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Ações sincronizadas facilitam a concordância sobre os mais diversos temas e a interação social. No entanto, não é fácil ter sintonia fina de pensamentos e movimentos sem a oportunidade de “ensaiar a coreografia”, como fazem os dançarinos. Um dos primeiros pesquisadores a reconhecer isso, há mais de 80 anos, foi o psicólogo social Floyd Henry Allport, professor da Universidade Harvard.

Apesar de permear nosso cotidiano, a sincronia implicada na cooperação não tem nada de trivial. Tal associação é construída apenas durante a interação propriamente dita – é por isso que ninguém aprende a dançar consultando livros ou sites na internet. Pioneiros nessa área, os psicólogos cognitivos Simon Garrod, da Universidade de Glasgow, e Martin Pickering, da Universidade de Edimburgo, investigaram o papel da fala como instrumento de coordenação. Eles observaram que, enquanto executam ações sincronizadas, as pessoas tendem a concordar rápida e involuntariamente sobre conceitos comuns. Exemplo: dois indivíduos, enquanto realizam uma ação conjunta, discutem a cor de uma gravata. Quando um deles diz que a peça é verde, o outro não demora muito para concordar, mesmo que a gravata seja de fato azul. Esse acordo tácito simplifica muito o entendimento.

Os experimentos dos pesquisadores escoceses mostraram também que a estrutura da frase e até mesmo a entonação da fala passam por ligeiras alterações para que a conversação flua sem obstáculos. Muitas vezes, porém, a cooperação exige algum esforço para garantir que as pessoas não reajam na hora errada, ou seja, na vez do outro. É preciso certo grau de sensibilidade para perceber o outro e alternar a fala e a escuta durante uma conversa, ao tocar as teclas no momento exato num duo ao piano ou durante uma dança, por exemplo.

Fonte: 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O bom do faz de conta

O escritor Ilan Brenman fala sobre o papel dos contos de fadas na infância

Fernanda Carpegiani

 Shutterstock
























A criança não vive sem o conto de fadas. Por meio da magia das histórias, ela cresce e aprende a compreender o mundo com mais propriedade. É o que disse Ilan Brenman, educador, psicólogo e autor de livros infantis em entrevista à CRESCER. Confira:
CRESCER: Qual é a importância do conto de fadas na infância?



Ilan Brenman: É tão importante para a criança se alimentar do leito materno quanto se alimentar dessas histórias. Uma é a nutrição fisiológica, e a outra é a nutrição da alma, da mente e do espírito. Ela tem que passar por essa experiência. O conto de fadas é algo tão forte que está presente em qualquer lugar do mundo, entre crianças pobres e ricas. É como andar de bicicleta, aprender a nadar ou ter contato com música.


C.: Quando a criança entra em contato com histórias e seres fantásticos, ela também está se desenvolvendo como ser humano?



I.B.: Os contos de fadas contêm rituais de passagem e de amadurecimento. Sempre falam sobre jornadas, desafios que fazem os heróis crescerem, conflitos que aparecem representados pelos personagens maus. E isso está diretamente ligado à vida da criança. O maior sentido da vida dela é crescer, amadurecer, e para isso ela precisa ir para o mundo. Existe a jornada, os obstáculos, as bruxas, os monstros representados por dezenas de pessoas e as fadas, também representadas por outras pessoas. É isso que dá a energia e o fôlego para a criança poder vislumbrar o futuro. O conto é um grande espelho do que a criança vive no seu mundo interno e quando ela se depara com isso acontece um encontro amoroso. Como em qualquer encontro amoroso, existe medo, receio, excitação, tristeza e muito prazer. Esses componentes fornecem uma base fenomenal e elementar para ela entrar tanto no mundo da comunidade humana quanto no mundo do conhecimento, porque flexibiliza a mente e a deixa mais aberta para receber e compreender as coisas que são aprendidas.


C.: Como esse contato com a fantasia pode servir para a vida real?

I.B.: Sem imaginação não existe aprendizagem. Os grandes gênios da humanidade, que construíram coisas extraordinárias, foram sempre pessoas criativas. A capacidade de abstrair tem a ver com imaginação, porque é a imaginação que prepara o terreno para o racional. O conto de fada é uma ferramenta poderosa de elaboração e compreensão do mundo, pois abre canais para a criança pensar sobre as coisas da vida real. E a gente faz isso também, o conto de fadas não existe só no mundo infantil. Se você assiste ao filme Uma Linda Mulher, vê que é a história da Cinderella. Guerra nas Estrelas também é um grande conto de fadas. Então o adulto também faz isso. A roupagem é outra, mas a base é a mesma. As pessoas procuram isso para tentar compreender melhor a realidade.

Fonte: revistacrescer.globo.com

3 brincadeiras para quando você está cansado (a)

Não deixe que seu cansaço impeça que você se divirta com seu filho. Veja algumas dicas!

Edição Daniela Tófoli. Reportagem Fernanda Carpegiani e Thais Lazzeri
  Divulgação
Mãe, vamos brincar? Ouvir essa frase ao chegar em casa, logo após aquele dia superestressante de trabalho, deixa qualquer mãe em uma saia-justa. Seu cansaço não é motivo para deixar de se divertir com seu filho. Veja algumas brincadeiras para fazer sem gastar muita energia. As crianças não vão nem perceber que você está cansada e vão adorar.
Ver fotos de família: Tire aquele álbum do armário e relembre com seu filho alguns momentos. Você pode mostrar fotos de quando era pequeno, do seu casamento, da gravidez... E propor brincadeira do tipo: encontre uma foto da mamãe de cabelo curto, de cabelo comprido etc.
É proibido rir ou piscar: Fiquem olhando bem nos olhos um do outro. Quem sorrir ou piscar os olhos primeiro, perde.
Faça uma dobradura: Pode ser um barquinho, um chapéu, o que você souber!
Fonte: Keiko Sakamoto, psicóloga, especialista em brincadeiras (SP)

Fonte: revistacrescer.globo.com